Legislação de Cigarros Electrónicos – Prós e contras

Embora os cigarros electrónicos possam ser vistos como um trampolim para acabar com a dependência da nicotina, alguns utilizadores vêem-nos como uma maneira de continuar um “hobby”, sem o medo de morte prematura, isso porque, embora a nicotina seja uma substância viciante muitos especialistas não acham que esta seja especialmente prejudicial. É o alcatrão e outros males do tabaco que matam.

“A nicotina não é muito perigosa, e é muito improvável que alguém apanhe uma overdose de nicotina nos cigarros electrónicos pela inalação do vapor”, disse Maciej Goniewicz da Roswell Park Cancer Institute, em Buffalo, Nova York – um oncologista que analisou os cigarros electrónicos e o vapor que produzem.
Ele diz que, na ausência de pesquisas sobre os efeitos de vaporizar a longo prazo, é impossível dizer que os cigarros electrónicos são absolutamente seguros, mas sabemos o suficiente para dizer que eles são mais seguros do que o tabaco.

“Não existe tal coisa como vaporizador passivo”, diz ele.

Os investigadores ainda não sabem quão eficazes os cigarros electrónicos são como uma ajuda para parar de fumar em comparação com outras terapias, como os adesivos de nicotina por exemplo, mas um estudo recente da Universidade de Catania (Itália) constatou que 9% de uma amostra de 300 fumadores tinham parado de fumar após 12 meses, usando cigarros electrónicos como uma ajuda. No Reino Unido, 25% de todas as tentativas de parar de fumar são feitas com cigarros electrónicos, tornando-se a ajuda para parar de fumar mais popular actualmente. A Agência para regulação de medicamentos no Reino Unido (MHRA) acredita que os cigarros electrónicos podem ajudar a salvar 57.000 vidas no Reino Unido na próxima década.

Embora vários países disponham de diferentes regulamentações para o uso do Cigarro Electrónico e alguns até proíbam a sua importação apesar do tabaco ainda está à venda em todos os países, outros como o caso do Reino Unido preparam legislação para restringir a venda de cigarros electrónicos e regulamentá-los como um produto médico. Os fabricantes terão de ser licenciados, e os componentes rotulados de forma clara com o teor de nicotina preciso. Os produtos não serão comercializados ou vendidos para jovens menores de 16 anos.

Esta regulamentação decorre no seguimento de um conjunto de preocupações com a segurança e padronização destes produtos. o MRHA diz os cigarros electrónicos actualmente disponíveis não satisfazem os padrões adequados de “segurança, qualidade e eficácia”, incluindo variações na qualidade do produto, doses de nicotina variadas entre os dispositivos.

Mas há também outras preocupações, alguns grupos de pressão temem que os cigarros electrónicos possam “re-normalizar” o fumo, comprometendo assim as proibições alcançadas e o trabalho de longos anos em “de-glorificar” o uso do tabaco. Outros acrescentam que o sabores “frutados” comercializados com o cigarro electrónico possam atrair o consumo por parte de crianças.

Diz no entanto o professor Robert West, director de Estudos do Tabaco da Universidade de Londres, que não há sinais de que eles estejam a se tornar populares no Reino Unido nas camadas jovens – o único país em que monitorizam de perto este hábito.

Quanto à ideia de que os cigarros electrónicos desfazem o trabalho de “de-glorificar” o tabagismo, Robert West, que tem feito um trabalho de consultoria para a medicação e cessação de nicotina, diz que a oportunidade de saúde pública fornecida pelos cigarros electrónicos reside na sua atractividade e moda actualmente demonstrada pelos utilizadores.

“Nunca tivemos comunidades de pessoas realmente entusiasmadas com os adesivos de nicotina ou pastilhas de nicotina” diz Robert.

Noventa por cento dos utilizadores do cigarro electrónico continuam a fumar diz ele, o que indica que o cigarro electrónico está a ser usado ​​como uma ajuda parar de fumar”.

Diz um utilizador entrevistado: “O pior cenário é eu vaporizar para o resto da minha vida em vez de morrer de fumar os cigarros tradicionais”

Fonte: www.bbc.co.uk


Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário